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Conexões humanas na campanha política

As dimensões estilísticas e retóricas predominam na agenda da equipe no início da campanha política. Existe uma convicção generalizada de que o sucesso está intrinsecamente vinculado à escolha da cor, de um adjetivo, de um slogan ou, inclusive, à vestimenta que o candidato utiliza nas fotos e vídeos. 

Neste contexto, em que o mundo ainda enfrenta as sequelas e um novo modelo de comportamento após uma pandemia impensável, várias campanhas políticas e candidatos postulam que o “novo normal” irá alterar o jeito de praticar a política, de se conectar com o eleitorado e de conquistar o voto. Entretanto, isso não é uma afirmação inteiramente correta. 

A política e as campanhas eleitorais são fundamentadas em emoções que brotam das interações humanas e se materializam em ações concretas, como depositar um voto em uma urna, em vez de meramente virtuais.

Embora as redes sociais, a análise de grandes conjuntos de dados e o ambiente virtual proporcionem ferramentas poderosas para comunicar e disseminar propostas junto a públicos específicos, por mais eficazes que sejam, não se pode desconsiderar o elemento humano, suas emoções e o contato pessoal direto, os quais são insubstituíveis.

As campanhas políticas sempre foram e continuarão a ser construções baseadas em conexões humanas, formadas por cidadãos reais que se engajam, votam e fazem suas escolhas com convicção. Considerar que uma campanha se limita a palavras, imagens e publicidade é negligenciar metade, ou talvez até mais, da equação.

O real desafio reside na habilidade de estabelecer contato individualizado com um grande número de eleitores, convencê-los, conquistá-los e efetivamente assegurar seus votos. Somente assim uma campanha política se solidifica e deixa de ser um jogo de sorte.

Em alguns lugares, a estratégia de mobilização é equivocadamente reduzida à logística de transporte no dia da eleição ou uma passeata para gerar visibilidade junto aos apoiadores. Sob essa ótica, a responsabilidade de conquistar votos por mobilização é apenas a de o político ter a “sorte” de ser carismático, isso, supostamente, garante a conquista de eleitores para a vitória.

A mobilização eleitoral transcende a mera condução e conquista (por charme) de eleitores. Ela visa, em vez disso, assegurar aos eleitores, concretizando seu engajamento e compromisso como multiplicadores ativos, instigando-os a se mobilizarem por conta própria e a votarem de maneira expressiva, decidida e pontual.

Apresentamos a estratégia de fidelização e mobilização eleitoral como um processo que visa conquistar os cidadãos, transformando-os em eleitores e defensores fervorosos de nossa abordagem eleitoral. Essa iniciativa se traduz no ato concreto do voto, mas não se restringe apenas a esse aspecto.

Pelo contrário, a jornada de fidelização e mobilização demanda tempo, planejamento e esforço para alcançar resultados frutíferos. As etapas iniciais de sua execução devem ser implementadas desde o primeiro dia da campanha política, ou até mesmo antes. A partir desse ponto, é crucial contar com total apoio do candidato e com o empenho dos membros da equipe em todos os níveis. A convicção, dedicação e conduta deles desempenharão um papel fundamental no êxito dessa empreitada, também conhecida como “campanha de base”.

Defendemos um modelo de campanha política que valoriza a obtenção de resultados e o cumprimento de metas, seguindo a abordagem muito utilizada no setor privado, onde cada ação ou investimento gera um retorno quantificável, um ganho. 

Em uma campanha política, esse ganho se manifesta no voto. Um pleito bem-sucedido harmoniza devidamente sua propaganda e comunicação com uma estrutura político-territorial encarregada de “vender a proposta” ou “inspirar” os eleitores de acordo com metas pré-estabelecidas. Tal campanha aumenta substancialmente suas chances de vitória.

A experiência nos tem mostrado que o êxito de uma estratégia de fidelização e mobilização está diretamente relacionado ao grau de compromisso e dedicação de toda a campanha, assim como de cada membro e apoiador individualmente.

Este guia não se propõe a ser uma fórmula definitiva para a mobilização de rua, nem pretende ser a única abordagem válida. Nosso objetivo é simplesmente compartilhar uma metodologia eficaz, a qual deve ser adaptada ao tipo de campanha pretendido e à particularidade do contexto em que será aplicada.

Campanhas que encaram esse desafio otimizam seus recursos – tanto humanos quanto financeiros –, minimizam suas fraquezas e reforçam seus pontos fortes. Além disso, estruturam sua jornada cotidiana em torno da conquista estratégica dos votos necessários. Aqui reside o núcleo e o espírito de uma campanha. Este é o cerne do nosso trabalho.

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