Em tempos de tráfego pago, algoritmo não é rei

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Renan Gonçalves

03/05/2023

Eu tenho certeza de que em algum momento da sua vida você considerou que patrocinar uma postagem não passava apenas de “apertar botões”, né?

 

Uma ação simples que talvez não valesse o investimento em um profissional da área. Esse pensamento tem caído por terra dia após dia, uma vez que mandatários e candidatos têm enxergado cada vez mais a necessidade de distribuir conteúdos com estratégia e assertividade.

 

Por quê?

As plataformas Meta e Google têm sido cada vez mais criteriosas ao propagar conteúdos apenas organicamente. E qual a saída para este impedimento? Comprar mídia online, ou, como costumam dizer, utilizar tráfego pago para impulsionar.

 

Uma das principais vantagens da utilização correta do tráfego pago em comunicações de mandato e campanhas é a possibilidade de atingir um público específico de forma direcionada.

 

Lembrando que: quem fala para todo mundo, não fala para ninguém. Então, se posso utilizar de estratégias para atingir determinado público-alvo, por que não as utilizar?

 

Passarinho que acorda cedo bebe água limpa

 

Nas eleições de 2022, estive em algumas campanhas como Analista de Mídia. Mas quero trazer a este artigo duas experiências em específico: uma, ao governo do estado de Rondônia, e outra, ao senado no estado de Goiás.

 

Posso dizer que diversos fatores contribuíram para que obtivéssemos êxito em ambas as campanhas, mas algo que despertou minha atenção desde o início foi a capacidade dos candidatos de perceberem que impulsionamento não é gasto, é investimento.

 

Além disso, com antecedência e tempo para pensar, tínhamos três tarefas importantes: produzir conteúdos que fossem capazes de sensibilizar, motivar e mobilizar eleitores.

 

O tripé acima faz parte de uma construção estratégica dos principais marqueteiros do Brasil, cujo objetivo é conquistar o coração do eleitor, não apenas sua mente.

 

E são essas estratégias que quero compartilhar com você, seja mandatário, seja pré-candidato.

 

Estratégias de mídia para 2024

 

Se você é daqueles que fazem parte do time dos que saem na frente, então fique atento às recomendações que farei a seguir.

 

Lembrando que tráfego pago não é receita de bolo, muito pelo contrário, é preciso sensibilidade ao apurar resultados para tomar decisões rápidas e estratégicas quando necessário.

 

Portanto, inspire-se nas estratégias que utilizamos em algumas campanhas de 2022, mas preocupe-se em adequá-las à sua realidade.

 

Facebook e Instagram

 

É importante identificar onde seu público está. Neste primeiro momento de pré-campanha e/ou comunicação de mandato, talvez não valha a pena você destinar recursos às duas plataformas.

 

Em cidades do interior, por exemplo, é muito comum que o Facebook seja mais presente na vida dos eleitores do que o Instagram. Já em cidades grandes, ambas são utilizadas. 

 

Portanto, o primeiro passo é mapear onde seu público está. Feito isso, o próximo passo é qualificá-lo através da entrega de conteúdo segmentado utilizando campanhas de alcance.

 

Se você é mandatário, dedique-se em produzir conteúdos de boa qualidade que mostrem à população o trabalho que você vem desempenhando enquanto político atuante. 

 

Se você é pré-candidato, é hora de começar a construir reputação, mas sem a ideia precipitada de comunicar nas redes que é pré-candidato a alguma coisa. Não é hora para isso!

 

Monte um roteiro com informações sobre: nome, cidade onde mora, cidade onde nasceu, cidade onde cresceu, posicionamentos políticos, informações e histórias sobre família e amigos, pautas que acredita, alianças e o que mais considerar necessário.

 

Comece a criar no inconsciente do eleitor a ideia de que talvez você seja alguém apto a disputar uma cadeira nas eleições municipais de 2024.

 

Estratégia

 

Importante destacar que para que os elementos acima funcionem, e funcionem bem, você precisa entregar seu conteúdo de forma segmentada para o máximo possível de pessoas.

 

Uma estratégia muito utilizada para isso são as campanhas de alcance com limite diário de impressão por pessoa, ou seja, você limita a quantidade de vezes que aquele mesmo usuário visualizará seu anúncio.

 

O objetivo dessa limitação é diminuir a frequência de entrega única e fazer com que a plataforma busque entregar para cada vez mais pessoas.

 

Essa estratégia lhe permitirá criar públicos de engajamento e video view, por exemplo, que deverão ser utilizados mais à frente em campanhas de engajamento.

 

Uma vez qualificado o público, recomendo a criação de alguns públicos: engajamento 60, 30 e 7 dias, e público de video view de usuários que tenham visualizado pelo menos 25%, 50% e 75% dos seus vídeos impulsionados.

 

Com isso, além da possibilidade de criar campanhas de remarketing, você também poderá segmentar para o público lookalike, que nada mais é do que pedir à plataforma que distribua o conteúdo para pessoas que tenham o perfil semelhante ao público original.

 

Ficou confuso? Funciona da seguinte forma: você cria um público de quem visualizou pelo menos 75% dos seus vídeos, por exemplo, e pede à plataforma que crie um segundo público de usuários que tenham um perfil semelhante ao destes que assistiram ao percentual citado.

 

Se alguém assistiu pelo menos 75% do conteúdo do vídeo, a probabilidade de que esse usuário tenha interesse em mais e mais conteúdos desta mesma pessoa — ou do mesmo tema — é muito maior, concorda?

 

E de que forma esses públicos serão utilizados? Em campanhas de engajamento que podem ser subdivididas em dois objetivos secundários: campanhas de vídeo view e campanhas de interação nos anúncios.

 

A ideia é fazer com que os usuários estejam cada vez mais presentes e qualificados nos públicos criados, quer sejam de engajamento, quer sejam de visualizações.

 

Para as eleições de 2024, isso é o máximo que você precisa saber até agora para as plataformas Facebook e Instagram:

 

  1. Campanhas de alcance para furar a bolha, contando sua história ou entregando feitos;
  2. Campanhas de engajamento cujo objetivo é atrair pessoas às redes e fomentar a interação destas.

 

Além disso, é importante que desde já você construa base. Se um usuário visualizou um anúncio, ele precisa ser direcionado para algum lugar, seja uma landing page em que você compartilhará uma newsletter semanal, seja um número de WhatsApp. Mas não perca o lead

 

Eu tenho certeza que utilizando as estratégias acima, embora não sejam únicas, você se destacará da maioria dos candidatos que certamente vão errar na hora de definir os objetivos.

 

Google

 

Se você é mandatário e concorrerá à reeleição em 2024, o Google é uma ferramenta poderosa que não deve ser ignorada.

 

Em primeiro lugar, um site bem indexado e com técnicas de SEO aplicadas fazem toda a diferença, porque ele será a porta de entrada quando o eleitor buscar pelo seu nome na maior rede de pesquisa do mundo.

 

Além disso, não se pode, de maneira nenhuma, ignorar uma plataforma que lhe confere a oportunidade de comprar palavras-chave, isso é, fazer com que o eleitor busque por um termo específico no Google e seja direcionado, por exemplo, à sua página.

 

Logicamente, existem diversos fatores que contribuirão para que isso aconteça, como orçamento, títulos e descrições, sitelinks e outros. Mas garantir que em algum momento seu nome apareça é mais do que estratégico, é inteligente e prudente.

 

Nas eleições do ano passado, compramos todas as palavras-chave que eram associadas aos nossos adversários, e com isso, obtivemos êxito em levar eleitores às nossas propostas.

 

O que foi feito em 2022 também pode ser aplicado desde já para garantir assertividade na entrega de conteúdo — com os devidos cuidados legais para não incorrer em nenhum crime eleitoral.

 

Agora, se você ainda é apenas pré-candidato sem mandato, o melhor a se fazer é concentrar esforços nas “redes vizinhas” e deixar o Google para um momento oportuno.

 

Dedique-se em construir reputação, lembrando, sempre, que nunca é sobre você. Faça-se conhecido, compartilhe seus feitos enquanto mandatário, construa reputação e entenda que impulsionamento não é gasto, é investimento.

 

***

Renan Gonçalves é Consultor em Marketing Político, Analista de Mídia responsável pela gestão de mais de R$7 milhões em tráfego para políticos, partidos políticos e autarquias como o Crea-SP.

 

Instagram: @renangoncalves.ads

 

OS ARTIGOS PUBLICADOS PELOS COLUNISTAS SÃO DE RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DE SEUS AUTORES E NÃO REPRESENTAM AS IDEIAS OU OPINIÕES DA REPÚBLICA MARKETING POLÍTICO.

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